Muito pouco.
O site Culturaria mal começou e já está encerrando atividades!
E logo agora que eu estava começando a pegar o jeito...
Engraçado isso, né?
Acho que agora que eu estava começando a estudar e pegar gosto nisso, nem pude fazer um texto de despedida.
É uma pena...
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Lei de patrocionio
Esse negócio de produzir uma peça é complicado.
Em especial, porque cada edital, festival, mostra ou instituição que pretende incentivar a cultura pede uma coisa diferente, um texto de apresentação diferente e documentação diferente. E também porque acaba tudo sendo muito parecido: apresentação, justificativa, cronograma, objetivos, orçamentos...
Pois é. Acho que a parte que eu mais odiava era fazer o orçamento. Mas a gente vai pegando o jeito e agora até me espanto com a rapidez com que ele fica pronto.
Agora, além de estudar teatro como eu já fazia antes, tenho estudado jurisdição. E achei um site bem legal que queria compartilhar: Lei de Patrocinio
Vou deixando as dicas aqui conforme eu as for encontrando...
Esse negócio de guardar as coisas pra você pra você ter mais chance... bom, acho isso uma bobagem enorme. Espero encontrar gente que me ajude e também gente que eu possa ajudar, sempre.
Em especial, porque cada edital, festival, mostra ou instituição que pretende incentivar a cultura pede uma coisa diferente, um texto de apresentação diferente e documentação diferente. E também porque acaba tudo sendo muito parecido: apresentação, justificativa, cronograma, objetivos, orçamentos...
Pois é. Acho que a parte que eu mais odiava era fazer o orçamento. Mas a gente vai pegando o jeito e agora até me espanto com a rapidez com que ele fica pronto.
Agora, além de estudar teatro como eu já fazia antes, tenho estudado jurisdição. E achei um site bem legal que queria compartilhar: Lei de Patrocinio
Vou deixando as dicas aqui conforme eu as for encontrando...
Esse negócio de guardar as coisas pra você pra você ter mais chance... bom, acho isso uma bobagem enorme. Espero encontrar gente que me ajude e também gente que eu possa ajudar, sempre.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Re-estréia
E essa semana começou com as duas re-estréias previstas e agendadas para esse ano (já estou esperando por outras re-estréias não agendadas e, quem sabe, uma estréia).
A primeira é "Os Gigantes da Montanha"
Essa peça é mais um exercício da Paralela Noir. Dessa vez, quem nos dirigiu foi o Roberto Alvin e (não posso esquecer de dar os créditos) o Rodrigo Pavon.
Pra saber mais sobre esse exercício que fica todo sábado, às 21hs, em cartaz no Club Noir (de graça), pode dar uma olhada no Blog que o João fez pra peça!
Legal, né?
A segunda é na Culturaria.
Como eu já havia dito na semana passada, o primeiro texto do ano já foi publicado. É um texto bem leve sobre meus pensamentos sobre um certo blockbuster. Aí vai:
Interpretação Digital
Por Júlia Novaes
Entre férias escolares e recessos, grande parte dos paulistas não está trabalhando entre o natal e o ano novo. Em janeiro, a cidade começa a andar, devagar, mas já em ritmo de horário comercial. Voltando também das minhas férias, fui dar uma olhada no Guia da Folha. A edição da primeira semana de janeiro é finíssima. Mesmo com as propagandas e um caderno especial de verão, 60 páginas.
Para o teatro, uma só. A página 34. Cinema, é claro, ocupa grande parte do caderno (20 páginas), junto com restaurantes, guloseimas e bares (sim, são 3 categorias diferentes que, ao todo, levam 11 páginas do caderno).
Bem, meu primeiro pensamento foi que isso tinha uma resposta óbvia. Afinal, o teatro é a única arte que precisa que as pessoas estejam lá, ao vivo, atuando, para acontecer. Quer dizer, posso ir ver uma exposição ou ouvir uma música sem estar fisicamente no mesmo local que o artista que produziu aquela obra, a não ser que estejamos falando de uma performance ou de um show, claro. No caso do cinema, em comparação ao teatro, é ainda mais evidente: a maioria dos atores hollywoodianos que eu vejo na telona eu nunca vi ao vivo.
Acabei me rendendo e resolvi, nessa primeira coluna do ano, falar um pouco de cinema também. É que, nestas férias, fui ver “Avatar”. Acho que todo mundo já ouviu falar desse filme de ficção, que tem uma história muito parecida com a de Pocahontas. O exército vai até um outro planeta (ou, mais especificamente, até a lua de outro planeta) para que uma empresa explore um minério que só há lá. Nessa equipe do exército, há uma equipe de cientistas que estuda a cultura dos Na’vi, os nativos de Pandora. Por um acaso, um cientista morre. Seu irmão gêmeo assume seu lugar, por ser geneticamente compatível com seu Avatar. A questão é: ele é um fuzileiro e passa a dar informações preciosas sobre os Na’vi para o exército. Claro, ele se envolve com a cultura natureba (no bom sentindo) dos Na’vi e também com Neytiri, a filha do chefe. Ele acaba se tornando um deles e escolhendo lutar do lado deles, quando os humanos partem para a ofensiva bélica.
Se vocês ainda não viram o filme, não se preocupem; o roteiro é o menos importante. O interessante mesmo são os efeitos especiais. Quando vemos o mundo de Pandora, entramos no mundo mágico do cinema computadorizado. Mas esse filme não foi feito como as animações da Pixar ou da Disney. Na verdade, o diretor nem mesmo o considera uma animação. É que o filme foi feito, primeiro, normalmente. Quer dizer, como manda o figurino: os atores atuavam e a câmera os registrava. Com a diferença de que eles estavam com uma roupa cheia de pontos (havia pontos também no rosto deles) para que isso fosse capturado com detalhes pelo computador. Os cinéfilos devem se lembrar dessa nova tecnologia que está sendo desenvolvida desde Gollun (personagem do Senhor dos Anéis).
Por mais que você não goste de filme de ficção científica ou de guerra (sim, há uma longuíssima batalha no filme), há algo que faz com que você se prenda a ele. Os personagens mágicos, lúdicos e “do bem”; as cores, o brilho e as conexões do ambiente... Claro, fui ver o filme em 3D. É engraçado porque eu me lembro de ter ido, quando pequena, ver algumas das sessões 3D, com aqueles óculos metade vermelhos, metade azuis; e me lembro também de que não havia história. A graça era simplesmente ver as borboletas ou o jacaré sairem da tela. Ver um filme colorido e cheio de criaturas mágicas em 3D me deu uma certa nostalgia.
E também gerou uma certa polêmica entre os que estavam comigo. Por que não se considera um filme desses uma animação?! Pensamos em vários argumentos. Na tecnologia que capta direto todos os movimentos e expressões dos atores. Mas, sendo isso uma reprodução, qual seria a diferença entre isso e desenhar tudo depois, também reproduzindo a interpretação com fidelidade? Afinal, quem não se lembra das homenagens feitas às vozes dos atores em animações? Só pra dar um exemplo, a Lola de “O espanta Tubarões”, que não dá pra não reconhecer, é Angelina Jolie. Ou de Fred, de “A Scanner Darkly”, personagem que foi feito com um recurso de rostocopia, usado exatamente para que os personagens animados sejam idênticos aos atores, pois ele é feito por cima das filmagens reais.
Os efeitos especiais, cada vez mais evidentes, seja como linguagem (como em “Capitão Sky e o Mundo de Amanhã”, só pra lembrar de um), seja como uma ferramenta para criar um mundo mágico (como toda a saga de Harry Potter, por exemplo) estão invadindo as telas, agora também como protagonistas.
Mas acho que “Avatar”, assim como “A Scanner Darkly”, tem uma outra questão: como os atores não apenas emprestam sua voz, mas também seu corpo, atuando na frente das câmeras, será que ainda é possível avaliar a atuação deles? Ou será que todos esses muros — a tela, a câmera, o filme, e, ainda por cima, toda essa animação computadorizada colocada em cima dos atores para guiar nossa visão — acaba escondendo-os e distanciando-os ainda mais de nós? Será que ainda existe diferença entre os filmes e as animações, ou será que essas linhas já estão sendo cada vez menos demarcadas?
A primeira é "Os Gigantes da Montanha"
Essa peça é mais um exercício da Paralela Noir. Dessa vez, quem nos dirigiu foi o Roberto Alvin e (não posso esquecer de dar os créditos) o Rodrigo Pavon.
Pra saber mais sobre esse exercício que fica todo sábado, às 21hs, em cartaz no Club Noir (de graça), pode dar uma olhada no Blog que o João fez pra peça!
Legal, né?
A segunda é na Culturaria.
Como eu já havia dito na semana passada, o primeiro texto do ano já foi publicado. É um texto bem leve sobre meus pensamentos sobre um certo blockbuster. Aí vai:
Por Júlia Novaes
Entre férias escolares e recessos, grande parte dos paulistas não está trabalhando entre o natal e o ano novo. Em janeiro, a cidade começa a andar, devagar, mas já em ritmo de horário comercial. Voltando também das minhas férias, fui dar uma olhada no Guia da Folha. A edição da primeira semana de janeiro é finíssima. Mesmo com as propagandas e um caderno especial de verão, 60 páginas.
Para o teatro, uma só. A página 34. Cinema, é claro, ocupa grande parte do caderno (20 páginas), junto com restaurantes, guloseimas e bares (sim, são 3 categorias diferentes que, ao todo, levam 11 páginas do caderno).
Bem, meu primeiro pensamento foi que isso tinha uma resposta óbvia. Afinal, o teatro é a única arte que precisa que as pessoas estejam lá, ao vivo, atuando, para acontecer. Quer dizer, posso ir ver uma exposição ou ouvir uma música sem estar fisicamente no mesmo local que o artista que produziu aquela obra, a não ser que estejamos falando de uma performance ou de um show, claro. No caso do cinema, em comparação ao teatro, é ainda mais evidente: a maioria dos atores hollywoodianos que eu vejo na telona eu nunca vi ao vivo.
Acabei me rendendo e resolvi, nessa primeira coluna do ano, falar um pouco de cinema também. É que, nestas férias, fui ver “Avatar”. Acho que todo mundo já ouviu falar desse filme de ficção, que tem uma história muito parecida com a de Pocahontas. O exército vai até um outro planeta (ou, mais especificamente, até a lua de outro planeta) para que uma empresa explore um minério que só há lá. Nessa equipe do exército, há uma equipe de cientistas que estuda a cultura dos Na’vi, os nativos de Pandora. Por um acaso, um cientista morre. Seu irmão gêmeo assume seu lugar, por ser geneticamente compatível com seu Avatar. A questão é: ele é um fuzileiro e passa a dar informações preciosas sobre os Na’vi para o exército. Claro, ele se envolve com a cultura natureba (no bom sentindo) dos Na’vi e também com Neytiri, a filha do chefe. Ele acaba se tornando um deles e escolhendo lutar do lado deles, quando os humanos partem para a ofensiva bélica.
Se vocês ainda não viram o filme, não se preocupem; o roteiro é o menos importante. O interessante mesmo são os efeitos especiais. Quando vemos o mundo de Pandora, entramos no mundo mágico do cinema computadorizado. Mas esse filme não foi feito como as animações da Pixar ou da Disney. Na verdade, o diretor nem mesmo o considera uma animação. É que o filme foi feito, primeiro, normalmente. Quer dizer, como manda o figurino: os atores atuavam e a câmera os registrava. Com a diferença de que eles estavam com uma roupa cheia de pontos (havia pontos também no rosto deles) para que isso fosse capturado com detalhes pelo computador. Os cinéfilos devem se lembrar dessa nova tecnologia que está sendo desenvolvida desde Gollun (personagem do Senhor dos Anéis).
Por mais que você não goste de filme de ficção científica ou de guerra (sim, há uma longuíssima batalha no filme), há algo que faz com que você se prenda a ele. Os personagens mágicos, lúdicos e “do bem”; as cores, o brilho e as conexões do ambiente... Claro, fui ver o filme em 3D. É engraçado porque eu me lembro de ter ido, quando pequena, ver algumas das sessões 3D, com aqueles óculos metade vermelhos, metade azuis; e me lembro também de que não havia história. A graça era simplesmente ver as borboletas ou o jacaré sairem da tela. Ver um filme colorido e cheio de criaturas mágicas em 3D me deu uma certa nostalgia.
E também gerou uma certa polêmica entre os que estavam comigo. Por que não se considera um filme desses uma animação?! Pensamos em vários argumentos. Na tecnologia que capta direto todos os movimentos e expressões dos atores. Mas, sendo isso uma reprodução, qual seria a diferença entre isso e desenhar tudo depois, também reproduzindo a interpretação com fidelidade? Afinal, quem não se lembra das homenagens feitas às vozes dos atores em animações? Só pra dar um exemplo, a Lola de “O espanta Tubarões”, que não dá pra não reconhecer, é Angelina Jolie. Ou de Fred, de “A Scanner Darkly”, personagem que foi feito com um recurso de rostocopia, usado exatamente para que os personagens animados sejam idênticos aos atores, pois ele é feito por cima das filmagens reais.
Os efeitos especiais, cada vez mais evidentes, seja como linguagem (como em “Capitão Sky e o Mundo de Amanhã”, só pra lembrar de um), seja como uma ferramenta para criar um mundo mágico (como toda a saga de Harry Potter, por exemplo) estão invadindo as telas, agora também como protagonistas.
Mas acho que “Avatar”, assim como “A Scanner Darkly”, tem uma outra questão: como os atores não apenas emprestam sua voz, mas também seu corpo, atuando na frente das câmeras, será que ainda é possível avaliar a atuação deles? Ou será que todos esses muros — a tela, a câmera, o filme, e, ainda por cima, toda essa animação computadorizada colocada em cima dos atores para guiar nossa visão — acaba escondendo-os e distanciando-os ainda mais de nós? Será que ainda existe diferença entre os filmes e as animações, ou será que essas linhas já estão sendo cada vez menos demarcadas?
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
2010
Bom, o ano começou e eu já estou atrasada!
É que amanhã sairá minha terceira coluna no site Culturaria e eu nem publiquei a segunda (de dezembro de 2009).
Mas tudo bem. Vamos começar o ano recapitulando!
Para imaginar uma história, apague as luzes.
Por Júlia Novaes
O Club Noir, com um nome desses e uma peça com esse título, não deixa dúvidas que trabalha diretamente e sempre com a escuridão (e, por conseqüência, com a luz).
Para quem foi despreparado ao Sesc Pompéia, não adiantou ler as sinopses de divulgação para tentar entender a peça. Isso porque o texto de Gregory Motton já é um texto difícil e completamente entrecortado, sem linearidade de tempo. E a montagem do diretor da companhia de teatro Club Noir, Roberto Alvim, picotou ainda mais o texto deixando pouco da história do marinheiro irlandês Tom Doheny e muito da reflexão lírica do dramaturgo.
É preciso entrar no teatro com outros olhos. Ao sentar-se no galpão do Sesc a vista começa, aos poucos a se acostumar com a escuridão e logo, tudo o que a delicada luz pontua no palco salta aos olhos. O texto e a voz, principal ponto do estudo do Club Noir é trabalhado na peça de uma forma muito específica: os três atores, ao invés de dividirem entre si os personagens, transitam entre eles: às vezes, sozinho no palco, o mesmo ator faz um diálogo todo.
É como se não houvesse diferença entre diálogo e monólogo. E, como em cena, quase não há movimentação, as vozes dos atores são trabalhadas como música e, elas sim, se movimentam: do grave para o agudo, do lento para o rápido, do sólido para o airado. E é nessa brincadeira que está a beleza da peça.
Sem necessidade de entender a história racionalmente, é preciso sentir, experiênciar, ouvir. Isto porque toda a dificuldade das elipses de tempo, dos recortes da história e da multiplicidade dos personagens é facilitada pela visualidade. O cenário tem apenas dois bancos e alguns símbolos: a árvore, a maçã, a cobra e o porco. São símbolos simples, até clichês, presentes do imaginário de todos, mas utilizados de forma muito plástica que acrescenta um véu de familiaridade a aridez da peça.
E a falta de movimentação dos atores, os símbolos, a luz pontuada e a musicalidade da voz dão espaço para a imaginação. A poesia do texto deixa o espectador (que deve ir ao teatro com a mente aberta) entender a batalha entre Tom, Deus e o Demônio de diferentes formas. E deixar espaço aberto para outro tipo de entendimento do público, que não é o entendimento racional, e para a imaginação é uma raridade numa arte visual como é o teatro hoje. Estamos acostumados a ver peças (filmes, exposições etc) em que não precisamos sentir nem imaginar, pois tudo nos é dado de forma quase didática: quem é o protagonista, para onde vai, o que quer, quem está dificultando a vida dele e assim por diante.
Ao contrário do que se pensa, acredito que uma montagem aberta e experimental neste sentido, de trazer ao espectador uma experiência diferente não é subestimar a inteligência do público, como muitos pensam ou se sentem ao sair da peça sem entendê-la racionalmente. Para mim, um desafio desse tipo na verdade leva em conta a inteligência do público, propondo que o sentido do que foi experimentado ao assistir a peça possa ser criado pelo próprio espectador.
A temporada foi curta (acabou neste domingo, dia 13 de dezembro) e eu ouvi pouco sobre o que as pessoas acharam da peça. É uma pena, porque uma peça difícil dessa, na minha opinião, deveria ter sido mais discutida. Se alguém a viu, gostaria de saber se o embate entre Deus e o Demônio estabelecido no palco foi também o embate entre os seus Deuses e os seus Demônios internos.
Pra quem quiser seguir o site-blog: Culturaria
Também recomendo dar uma olhada nos outros colunistas que eu também tenho seguido e lido - mesmo que pessoalmente, só tenha conhecido uma, a Yá; na nossa cervejada de fim do ano.
É que amanhã sairá minha terceira coluna no site Culturaria e eu nem publiquei a segunda (de dezembro de 2009).
Mas tudo bem. Vamos começar o ano recapitulando!
Por Júlia Novaes
O Club Noir, com um nome desses e uma peça com esse título, não deixa dúvidas que trabalha diretamente e sempre com a escuridão (e, por conseqüência, com a luz).
Para quem foi despreparado ao Sesc Pompéia, não adiantou ler as sinopses de divulgação para tentar entender a peça. Isso porque o texto de Gregory Motton já é um texto difícil e completamente entrecortado, sem linearidade de tempo. E a montagem do diretor da companhia de teatro Club Noir, Roberto Alvim, picotou ainda mais o texto deixando pouco da história do marinheiro irlandês Tom Doheny e muito da reflexão lírica do dramaturgo.
É preciso entrar no teatro com outros olhos. Ao sentar-se no galpão do Sesc a vista começa, aos poucos a se acostumar com a escuridão e logo, tudo o que a delicada luz pontua no palco salta aos olhos. O texto e a voz, principal ponto do estudo do Club Noir é trabalhado na peça de uma forma muito específica: os três atores, ao invés de dividirem entre si os personagens, transitam entre eles: às vezes, sozinho no palco, o mesmo ator faz um diálogo todo.
É como se não houvesse diferença entre diálogo e monólogo. E, como em cena, quase não há movimentação, as vozes dos atores são trabalhadas como música e, elas sim, se movimentam: do grave para o agudo, do lento para o rápido, do sólido para o airado. E é nessa brincadeira que está a beleza da peça.
Sem necessidade de entender a história racionalmente, é preciso sentir, experiênciar, ouvir. Isto porque toda a dificuldade das elipses de tempo, dos recortes da história e da multiplicidade dos personagens é facilitada pela visualidade. O cenário tem apenas dois bancos e alguns símbolos: a árvore, a maçã, a cobra e o porco. São símbolos simples, até clichês, presentes do imaginário de todos, mas utilizados de forma muito plástica que acrescenta um véu de familiaridade a aridez da peça.
E a falta de movimentação dos atores, os símbolos, a luz pontuada e a musicalidade da voz dão espaço para a imaginação. A poesia do texto deixa o espectador (que deve ir ao teatro com a mente aberta) entender a batalha entre Tom, Deus e o Demônio de diferentes formas. E deixar espaço aberto para outro tipo de entendimento do público, que não é o entendimento racional, e para a imaginação é uma raridade numa arte visual como é o teatro hoje. Estamos acostumados a ver peças (filmes, exposições etc) em que não precisamos sentir nem imaginar, pois tudo nos é dado de forma quase didática: quem é o protagonista, para onde vai, o que quer, quem está dificultando a vida dele e assim por diante.
Ao contrário do que se pensa, acredito que uma montagem aberta e experimental neste sentido, de trazer ao espectador uma experiência diferente não é subestimar a inteligência do público, como muitos pensam ou se sentem ao sair da peça sem entendê-la racionalmente. Para mim, um desafio desse tipo na verdade leva em conta a inteligência do público, propondo que o sentido do que foi experimentado ao assistir a peça possa ser criado pelo próprio espectador.
A temporada foi curta (acabou neste domingo, dia 13 de dezembro) e eu ouvi pouco sobre o que as pessoas acharam da peça. É uma pena, porque uma peça difícil dessa, na minha opinião, deveria ter sido mais discutida. Se alguém a viu, gostaria de saber se o embate entre Deus e o Demônio estabelecido no palco foi também o embate entre os seus Deuses e os seus Demônios internos.
Pra quem quiser seguir o site-blog: Culturaria
Também recomendo dar uma olhada nos outros colunistas que eu também tenho seguido e lido - mesmo que pessoalmente, só tenha conhecido uma, a Yá; na nossa cervejada de fim do ano.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Debates
Durante essas últimas semanas, a Cia Temporária de Investigação Cênica criou um ciclo de debates.
Como eu já havia apresentado o primeiro, vou fazer aqui uma revisão pra deixar um registro de como eles foram, ao menos por fotos...
“Mulheres na Arte”. Debate com as convidadas: Lúcia Romano da Cia Livre, Daniele Ricieri do grupo As Atuadoras, Fernanda Azevedo da Companhia Kiwi de Teatro e Roberta Estrela D'alva do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos.

Aqui, Daniele Ricieri do grupo As Atuadoras e Fernanda Azevedo da Companhia Kiwi de Teatro.

Nesta, Lúcia Romano, da Cia Livre e um participante do debate.

E, por último, aqui estão Roberta Estrela D'Alva, do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos e a Sofia Boito, da Cia Temporária de Investigação Cênica, iluminadora da peça e também minha colega de palco.
“Mulher e organizações políticas e socias"; com as convidadas: Camila Furchi, integrante equipe técnica da SOF – Sempreviva Organização Feminista e militante da Marcha Mundial das Mulheres e com Luciana Vizzotto e Cristiane Toledo do Movimento Pão e Rosas.

Aqui estão Luciana Vizzotto e Cristiane Toledo do Movimento Pão e Rosas.

E, aqui, Joana Dória e Sofia Boito, ambas da Cia Temporária; uma participante do debate e Camila Furchi, da SOF e também militante da Marcha Mundial das Mulheres.
O terceiro e, infelizmente, último debate foi uma conversa sobre "A trajetória da representação do corpo feminino ao longo dos tempos", com a Prof. Dra. Denise Sant'Anna, da PUC-SP.
As fotos desse último debate, que aconteceu ontem, eu ainda não tenho! Mas logo mais eu publico aqui!
Ah sim: só lembrando que semana que vem é a ÚLTIMA SEMANA da peça “E Agora, Nora?!”.
Como eu já havia apresentado o primeiro, vou fazer aqui uma revisão pra deixar um registro de como eles foram, ao menos por fotos...
“Mulheres na Arte”. Debate com as convidadas: Lúcia Romano da Cia Livre, Daniele Ricieri do grupo As Atuadoras, Fernanda Azevedo da Companhia Kiwi de Teatro e Roberta Estrela D'alva do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos.

Aqui, Daniele Ricieri do grupo As Atuadoras e Fernanda Azevedo da Companhia Kiwi de Teatro.

Nesta, Lúcia Romano, da Cia Livre e um participante do debate.

E, por último, aqui estão Roberta Estrela D'Alva, do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos e a Sofia Boito, da Cia Temporária de Investigação Cênica, iluminadora da peça e também minha colega de palco.
“Mulher e organizações políticas e socias"; com as convidadas: Camila Furchi, integrante equipe técnica da SOF – Sempreviva Organização Feminista e militante da Marcha Mundial das Mulheres e com Luciana Vizzotto e Cristiane Toledo do Movimento Pão e Rosas.

Aqui estão Luciana Vizzotto e Cristiane Toledo do Movimento Pão e Rosas.

E, aqui, Joana Dória e Sofia Boito, ambas da Cia Temporária; uma participante do debate e Camila Furchi, da SOF e também militante da Marcha Mundial das Mulheres.
O terceiro e, infelizmente, último debate foi uma conversa sobre "A trajetória da representação do corpo feminino ao longo dos tempos", com a Prof. Dra. Denise Sant'Anna, da PUC-SP.
As fotos desse último debate, que aconteceu ontem, eu ainda não tenho! Mas logo mais eu publico aqui!
Ah sim: só lembrando que semana que vem é a ÚLTIMA SEMANA da peça “E Agora, Nora?!”.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Debatendo Nora
Nesta quinta-feira, dia 26/11 nós, da Cia Temporária de Investigação Cênica, teremos convidados especiais.
Iniciaremos junto com Lúcia Romano (Cia Livre) e Daniele Ricieri (Atuadoras)um ciclo de debates sobre Mulher. E, tendo artistas como convidadas, o tema de quinta é "Mulheres na Arte"!.
O debate vai acontecer logo depois da peça "E Agora, Nora?!" e eu já estou bem ansiosa. Depois que ele acontecer, volto aqui para relatar como foi e já anunciar o próximo encontro com nossas próximas convidadas!!
DEBATE "MULHERES NA ARTE" com Lúcia Romano e Daniele Ricieri.
Dia 26/11, após a apresentação de "E Agora, Nora?!".
SALA EXPERIMENTAL PLÍNIO MARCOS DO TUSP – 20hs - Teatro da USP – Rua Maria Antônia 294 – Consolação. Telefone: (11) 3255-1782.
PREÇO PROMOCIONAL DA PEÇA PARA OS DIAS DE DEBATE: R$ 5,00
Iniciaremos junto com Lúcia Romano (Cia Livre) e Daniele Ricieri (Atuadoras)um ciclo de debates sobre Mulher. E, tendo artistas como convidadas, o tema de quinta é "Mulheres na Arte"!.
O debate vai acontecer logo depois da peça "E Agora, Nora?!" e eu já estou bem ansiosa. Depois que ele acontecer, volto aqui para relatar como foi e já anunciar o próximo encontro com nossas próximas convidadas!!
DEBATE "MULHERES NA ARTE" com Lúcia Romano e Daniele Ricieri.
Dia 26/11, após a apresentação de "E Agora, Nora?!".
SALA EXPERIMENTAL PLÍNIO MARCOS DO TUSP – 20hs - Teatro da USP – Rua Maria Antônia 294 – Consolação. Telefone: (11) 3255-1782.
PREÇO PROMOCIONAL DA PEÇA PARA OS DIAS DE DEBATE: R$ 5,00
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Estréia de aniversário
Hoje, no meu aniversário, eu estreiei como colunista.
Foi uma correria para escrever o texto a tempo da estréia do site-blog (que estreiou sem mim ontem!).
Se quiserem dar uma olhada no site: Culturaria.
E aí vai meu primeiro texto:

Teatro na contramão do trânsito de São Paulo
por Júlia Novaes
Depois de uma semana de caos, com falta de energia, falta de água, calor, chuvas e claro, como de costume, um trânsito horrível na cidade de São Paulo, eu resolvi escrever sobre uma luz no fim desse túnel.
“Cordel do Amor Sem Fim” é um espetáculo de teatro que tem suas últimas apresentações dia 18 e 19 de novembro, quarta e quinta, às 21hs. O local? Um ônibus urbano com saída no TUSP.
A companhia que criou esse projeto, assim como acontece frequentemente em São Paulo, se juntou por afinidade de gostos. Os membros da Trupe Sinhá Zózima se conheceram em um curso profissionalizante de teatro e, desde a formatura estão juntos. Parece que, na contramão desse nosso mundo de competição, o grupo faz o projeto ficar mais forte. Eles dividem tudo, desde a criação do espetáculo à pesquisa geral da Trupe, sempre em cima das ideias de regionalismo, cotidiano e a universalidade dos sentimentos e emoções humanas. Além da concepção, da escolha do espetáculo e do material humano e profissional que os integrantes trazem para a Trupe, eles também dividem a produção: da parte administrativa à financeira. Hoje, depois de dois anos juntos, os seis integrantes da Trupe já conhecem a facilidade e as preferências que cada artista tem no trabalho mais burocrático da produção, mas todos eles já fizeram um pouco de tudo. Assim, todos os artistas sabem tudo o que é preciso para que o espetáculo saia das ideias e entre no mundo real.
Essa sintonia surgiu da mesma vontade: a de explorar o contato com o público e com o espaço. Para isso, a Trupe começou em bares noturnos, passando para o ônibus urbano e até mesmo supermercados. Mas essas intervenções fizeram os integrantes da Trupe decidirem que o que eles procuravam era fazer um espetáculo em movimento e, por isso, a escolha final pelo ônibus urbano. Claro que essa ideia trouxe diversas dificuldades. Uma delas, para dar um exemplo, é a dificuldade de classificar a peça para editais e festivais por ela não se caracterizar nem como teatro de rua nem como “teatro no teatro”. É inacreditável que uma ideia tão boa não tenha espaço simplesmente por não se enquadrar nesse tipo de classificação.
E a Trupe já tem dois espetáculos nas costas (“Cordel do Amor Sem Fim” e “Valsa nº 6”, que eu ainda não assisti, mas espero que não demore a voltar em cartaz!), ambos dentro do ônibus urbano. Essa escolha por um ônibus como todos os outros nos quais nos deslocamos do trabalho para casa e de casa para o trabalho é simples. É para mexer com o cotidiano das pessoas: “a estratégia de realizar um trabalho cênico dentro de um ônibus em movimento é a de aproveitar o texto, que tem um tempo muito diferente do tempo da metrópole, e promover este choque entre a realidade e a ficção sendo vivenciada pelos passageiros em tempo real”, me explicaram os integrantes da Trupe Sinhá Zózima.
E, claro, a primeira coisa que pensei foi como esse choque entre o tráfego e a cidade interfere na cidade. É preciso estar lá para entender como eles lidam com o barulho do trânsito, do motor, das pessoas, com o contato com as pessoas que estão fora do ônibus, mas observando o que se passa lá dentro, com a encenação na rua e no ônibus, com as pessoas que estão dentro do ônibus e são observadas pelas pessoas de fora etc. Mesmo assim, a viagem me deixou tranquila. Acho que é porque, como eles mesmos me explicaram, o ônibus é um elemento que já faz parte do dia a dia. Se sentir à vontade nele é fácil até para quem não tem costume de ir ao teatro.
Mas ao entrar nesse ônibus, mais do que um trajeto pelo centro da cidade ou por onde quer que ele passe, a Trupe nos oferece um espetáculo delicado que conta a espera de Teresa por Antônio, seu amado, que promete voltar à cidade dela. “Cordel do Amor Sem Fim” é uma viagem em uma história de amor. Até o trânsito vale a pena.
Foi uma correria para escrever o texto a tempo da estréia do site-blog (que estreiou sem mim ontem!).
Se quiserem dar uma olhada no site: Culturaria.
E aí vai meu primeiro texto:
Teatro na contramão do trânsito de São Paulo
por Júlia Novaes
Depois de uma semana de caos, com falta de energia, falta de água, calor, chuvas e claro, como de costume, um trânsito horrível na cidade de São Paulo, eu resolvi escrever sobre uma luz no fim desse túnel.
“Cordel do Amor Sem Fim” é um espetáculo de teatro que tem suas últimas apresentações dia 18 e 19 de novembro, quarta e quinta, às 21hs. O local? Um ônibus urbano com saída no TUSP.
A companhia que criou esse projeto, assim como acontece frequentemente em São Paulo, se juntou por afinidade de gostos. Os membros da Trupe Sinhá Zózima se conheceram em um curso profissionalizante de teatro e, desde a formatura estão juntos. Parece que, na contramão desse nosso mundo de competição, o grupo faz o projeto ficar mais forte. Eles dividem tudo, desde a criação do espetáculo à pesquisa geral da Trupe, sempre em cima das ideias de regionalismo, cotidiano e a universalidade dos sentimentos e emoções humanas. Além da concepção, da escolha do espetáculo e do material humano e profissional que os integrantes trazem para a Trupe, eles também dividem a produção: da parte administrativa à financeira. Hoje, depois de dois anos juntos, os seis integrantes da Trupe já conhecem a facilidade e as preferências que cada artista tem no trabalho mais burocrático da produção, mas todos eles já fizeram um pouco de tudo. Assim, todos os artistas sabem tudo o que é preciso para que o espetáculo saia das ideias e entre no mundo real.
Essa sintonia surgiu da mesma vontade: a de explorar o contato com o público e com o espaço. Para isso, a Trupe começou em bares noturnos, passando para o ônibus urbano e até mesmo supermercados. Mas essas intervenções fizeram os integrantes da Trupe decidirem que o que eles procuravam era fazer um espetáculo em movimento e, por isso, a escolha final pelo ônibus urbano. Claro que essa ideia trouxe diversas dificuldades. Uma delas, para dar um exemplo, é a dificuldade de classificar a peça para editais e festivais por ela não se caracterizar nem como teatro de rua nem como “teatro no teatro”. É inacreditável que uma ideia tão boa não tenha espaço simplesmente por não se enquadrar nesse tipo de classificação.
E a Trupe já tem dois espetáculos nas costas (“Cordel do Amor Sem Fim” e “Valsa nº 6”, que eu ainda não assisti, mas espero que não demore a voltar em cartaz!), ambos dentro do ônibus urbano. Essa escolha por um ônibus como todos os outros nos quais nos deslocamos do trabalho para casa e de casa para o trabalho é simples. É para mexer com o cotidiano das pessoas: “a estratégia de realizar um trabalho cênico dentro de um ônibus em movimento é a de aproveitar o texto, que tem um tempo muito diferente do tempo da metrópole, e promover este choque entre a realidade e a ficção sendo vivenciada pelos passageiros em tempo real”, me explicaram os integrantes da Trupe Sinhá Zózima.
E, claro, a primeira coisa que pensei foi como esse choque entre o tráfego e a cidade interfere na cidade. É preciso estar lá para entender como eles lidam com o barulho do trânsito, do motor, das pessoas, com o contato com as pessoas que estão fora do ônibus, mas observando o que se passa lá dentro, com a encenação na rua e no ônibus, com as pessoas que estão dentro do ônibus e são observadas pelas pessoas de fora etc. Mesmo assim, a viagem me deixou tranquila. Acho que é porque, como eles mesmos me explicaram, o ônibus é um elemento que já faz parte do dia a dia. Se sentir à vontade nele é fácil até para quem não tem costume de ir ao teatro.
Mas ao entrar nesse ônibus, mais do que um trajeto pelo centro da cidade ou por onde quer que ele passe, a Trupe nos oferece um espetáculo delicado que conta a espera de Teresa por Antônio, seu amado, que promete voltar à cidade dela. “Cordel do Amor Sem Fim” é uma viagem em uma história de amor. Até o trânsito vale a pena.
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