segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Confluências

As coisas andam tão rápido que parece loucura. Por isso andei sumida da internet.
A re-estréia de “E Agora Nora?!”, o bazar que fizemos para tentar arrecadar fundos para a companhia, a estréia de “Os gigantes da Montanha”, as apresentações de DNA para o projeto “Femsa leva”...
Porque será que tudo resolve acontecer ao mesmo tempo?!

Parece que é reclamação, mas não é. É só um desabafo de cansaço.
Pronto.
Agora dá pra voltar ao trabalho.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Bate-Papo no Sesc




Segunda e terça desta semana fizemos 3 apresentações de Bate-Papo no Sesc Pompéia. As apresentações que seriam só para o projeto Alta Voltagem (projeto voltado para jovens) foi aberta ao público tão em cima da hora que não consegui chamar ninguém. Uma pena.

Engraçado como esse tipo de apresentação cria um vinculo emocional. Eu frequento o Sesc Pompéia desde que me conheço por gente. Vi centenas de shows, exposições, peças, eventos. Até o Homem-Aranha eu conheci lá! E poder me apresentar lá foi muito bom.

Também, depois da peça, conversamos com os adolescentes. É emocionante ouvir coisas como "nunca tinha visto uma peça que falasse tão diretamente comigo, da minha vida". Ao mesmo tempo, ouvimos coisas muito estranhas como "não tem nada pelo que eu acho que vale a pena lutar". Faz a gente se sentir velho e ao mesmo tempo se identificar com essa gente descrente do mundo. E estar ali, faz a gente sentir que não só já estamos fazendo alguma coisa como também eles estão. É reconfortante e ao mesmo tempo dá uma ansiedade por poder fazer mais isso. Nós levamos o teatro até eles e eles saíram inspirados pra nos procurar também. Quem sabe essa inspiração vire hábito...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Gigantes

"Estar aqui, Condessa, é o mesmo que estar nas bordas da vida! As bordas, a um comando, se separam: entra o invisível; propagam-se os fantasmas. É natural. Surge o que é comum no sonho. Eu faço com que aconteça também na vigília. Está tudo aqui. O sonho, a música, a oração, o amor... todo o infinito que há nos homens, a senhora poderá encontrar dentro e ao redor desta vila".

Ontem, levantamos o último ato de "Os gigantes da montanha" de Luigi Pirandello.

O Robeto resolveu abolir personas e personagens e explodir a narrativa. Afinal:

"O que importa, antes de mais nada, é a magia; quer dizer, criar a atração da fábula".

E quem vai discutir com Pirandello?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Internetês

Ontem, durante uma palestra de Léa Penteado, aprendi algo muito importante:

"Não adianta só por o ovo, tem que cacarejar".

Assim, retomo esse blog como meu mais novo caderno virtual de ensaio e com o objetivo de não deixa-lo aos ácaros virtuais novamente!

Até amanhã.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Bibliografia




Já é o último fim de semana da peça...
O início do semestre é sempre como se começasse um novo ano. Mas isso quase nunca quer dizer férias.
Nora ainda vai andar bastante por aí.

Cidadania, Bate-Papo e DNA também tem dias contados... Ao menos para longas temporadas em 2009.

De novidades, agora a Cia Temporária tem grupo de estudos.
E começamos com:
Murakami, Kawabata, Hirokazu, Miranda July, Sophie Calle, Novarro e Paul Klee.
As coisas parecem um pouco distantes agora mas aos poucos as coisas se revelam.



E Agora Nora?!
Até dia 30/08.
Sexta, sábado e domingo, 21hs.
Casa Livre - R. Pirineus 107.

Cidadania
Última apresentação 29/08, 18hs.
Cultura Inglesa - R. Deputado Lacerda Franco, 333.

Bate-Papo
Última apresentação 30/08, 17h30.
Cultura Inglesa - R. Deputado Lacerda Franco, 333.

DNA
Até dia 13/09.
Sábado e domingo, 18hs e 17h30.
Cultura Inglesa - R. Deputado Lacerda Franco, 333.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Coisa de Mulher

Durante um processo de pesquisa, muitas coisas aparecem. E quando aparece você?
Quando a gente olha pra fora e pra dentro, quando a gente se expõe de um modo inimaginável, quando nos colocamos desnudadas no palco. Ser nosso objeto de pesquisa e de exposição sem ser objeto é muito complexo. Depor é muito complexo. Acho que somos muito complexos.

O texto é um pouco longo, mas taí um desses pensamentos pontuais que se passam quando penso em mim mesma e em mim como mulher (outro ponto da nossa pesquisa):

Fui criada pra ser uma pessoa e não uma mulher.
Eu fui criada pra ser independente, pra ter sucesso no trabalho, pra cuidar de mim e não precisar de alguém.
E me deparo precisando o tempo todo.
De um homem.
Não quero me casar mas não seria nada mal chegar em casa e ter alguém lá.
Uso tênis e não gosto de batom mas pinto meu cabelo e me depilo com cera quente.
Não sou viciada, na verdade nem gosto de fazer exercícios mas tenho medo de ser gorda.
Tenho a pele clara e meu médico me mandou usar protetor solar: previne câncer e rugas.
Queria ser muito atraente mas não queria que minhas conquistas tivessem a ver com meu poder de sedução.
È isso que é ser mulher?
É simplesmente uma diferença biológica ou realmente as mulheres são mais abertas, mais profundas, mais sensíveis, mais empáticas... e eu devo abdicar das diferenças em prol de ser uma pessoa ou existe um lugar diferente no mundo pras mulheres?
A sedução, o relacionamento, a procriação, a criação... tudo isso é parte de mim ou é obrigação minha?
Sou eu que tenho que estar sempre jovem, sempre arrumada, pintar minha cara, cuidar da minha pele, ficar magra? E pra que? Pra quem? Pra mim? Pra ele?
Sou eu quem tem que se preocupar em seduzir, em não deixar o relacionamento esfriar, em existir um “próximo passo”, em ter que discutir relação? Ou se espera isso de mim?
Sou eu que preciso afirmar que quero dividir a conta do jantar, do cinema, de telefone? Eu preciso ficar envergonhada quando querem me pagar o encontro? Ou eu preciso aceitar isso em prol de um cavalheirismo e uma gentileza porque sou mulher?
Eu preciso cuidar do meu corpo pra não ficar doente ou eu preciso cuidar do meu corpo pra estar sempre “em forma”? Em forma de quê? Na forma da capa da revista? Na forma da tela da tevê?
Eu quero tanto achar meu lugar no mundo, minha essência, meu diferencial... e pra um lado ou pra outro só me fazem ser igual. Tenho que ser igual aos homens. Tenho que ser igual às mulheres.
Tenho que ser bem sucedida, tenho que ganhar bem, tenho que pensar em ter filhos, tenho que acabar com as celulites. E mesmo assim, tenho a sensação de faltar alguma coisa. Falta descobrir o que é isso que me faz mulher e não homem.
Preciso admitir que quero sim ter um homem que me ame. Que eu quero sim que ele se ofereça pra abrir a porta ou carregar minha bolsa. E que eu quero sim me maquiar pra sair no sábado a noite. E que eu quero ser a mulher mais linda do universo pro meu namorado mesmo que tenha culote ou celulite, mesmo com remela nos olhos e cabelos desgrenhados de manhã. Quero que ele queira ter filhos e também que queira adotar um, apesar desse sonho ser meu e não dele. E que ele ame nosso filho de criação como amaria um de sangue. E quero pagar metade das contas com meu dinheiro. E quero ser admirada no meu trabalho. E quero ter sucesso no que eu faço. E quero trabalhar duzentas horas e ter fôlego pra sair pra dançar. E quero sair pra beber e ser paquerada por estranhos e poder dizer pra eles que não, obrigada, não estou interessada neles. E quero falar mal do meu namorado e dos homens em geral e também, ou ao mesmo tempo, que minhas amigas gostem dele. Quero sustentar meus filhos e ainda animais de estimação. Quero poder ajudar de fato a sociedade, seja com fundos para instituições pertinentes seja mesmo na política. Quero poder envelhecer sem me sentir mal, ou feia, ou que eu passei do tempo, ou mal amada.
Falta alguma coisa porque eu quero tudo.


*Depoimento para o processo de "E Agora Nora" com a Cia Temporária de Investigação Cênica.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Triologia: B, C, D.



DNA.
É a terceira peça: B, C, D.
Bate-papo, Cidadania e, agora, DNA.
Nunca tinha reparado nisso até o Tai me fazer rir com um copo de cerveja.
Cada peça foi uma experiência diferente pra mim.

Bate-papo foi um grupo muito novo, de gente querida, que acreditava quase ingenuamente naquilo que fazia. Éramos seis atores que acordávamos cedo e íamos ensaiar mesmo sem o diretor. A gente emprestou nossas roupas aos personagens e ficava triste quando alguém precisava ser substituído. Foi mesmo um debut pra muita gente. Tudo acontecia num ritmo maluco. Montar uma peça em dois meses? Não pareceu possível. Mas foi. No começo foi garra, depois, criamos tudo. Imagino como deve ser refazê-la hoje... É a menina dos meus olhos.

Cidadania foi um pouco mais difícil no começo. Meio áspero. Mais gente, mais correria. A trancos e barrancos, também saiu algo. Algo bom. A trajetória da peça em cartaz foi mais irregular... No fim, a despedida foi menos triste. Na verdade, foi bem divertida! Essa peça tem algo de especial... é como se ela tivesse nascido pra dirigir. A gente se divertia e ela nos levava e levava quem assistia. E ganhamos mais público, mais espaço...

DNA ainda está em cartaz (e vai ficar por mais tempo!). Já é um terceiro elenco. Da triologia só eu restei. Foi um processo e uma peça mais divertida. Pilhada. Um jogo gostoso de jogar. Tem muito a ver com o Bate-Papo, no tema. Mas é onde as coisas acontecem.

Nesse jeito “express” (e que pode deixar muita gente maluca) do Tuna levar as coisas a gente aprende muito: aprende a confiar em alguém que acabou de conhecer, aprende a se divertir e não se preocupar com o que não lhe cabe, aprende a relaxar quando tudo dá errado, aprende que sempre há uma maneira de se contar uma história. Acho que muita gente ia aprender muito se montasse uma peça em dois meses e ela ficasse um ano em cartaz. Não é fácil. Mas não é impossível. Estamos aí pra provar que quando a gente acredita e quer, as coisas dão certo.

DNA
(- de Dennis Kelly)
Direção de Tuna Serzedello
No Espaço do Satyros I (Pça Roosevelt, 214)
Todo sábado e domingo, 19hs, 20 dinheiros.